livros menor Este é o mês do advogado. Há 188 anos, em 11 de agosto, foram criados os primeiros cursos jurídicos do Brasil. De lá para cá muita coisa mudou, da mercantilização do ensino ao estelionato intelectual promovido por algumas instituições que se dizem de ensino, mas que buscam tão só os lucros em detrimento da formação acadêmica sólida, que estimula o pensamento crítico e a capacidade de se reinventar, convencendo os alunos ávidos por uma melhor condição de vida, que bastaria cursar os cinco anos (pagando) para tudo se concretizar, contando com o apoio de um estado negligente, no qual a meta é a desvalorização da educação. Resultado: declaração de guerra ao Exame da OAB.

A advocacia é uma das profissões mais antigas de que se tem notícia e o advogado é parte essencial à prestação jurisdicional no estado democrático de direito; esse princípio é tão importante que no Brasil foi alçado à condição de preceito constitucional, no artigo 133 da Constituição Federal de 1988, conferindo aos advogados a posição de um dos pilares da justiça, sem o qual esta ficaria inviabilizada.

Na era dos avanços tecnológicos em que a sociedade assume o risco social, já não se pode mais retroceder, é preciso administrar a complexidade da vida cosmopolita e nesse cenário, mais do que nunca, o advogado é indispensável para garantir a horizontalidade do indivíduo frente à predominância do estado, assim como preservar a igualdade ante o desequilíbrio em face de seus pares.

O advogado é um decodificador da normativa, é um conselheiro, um defensor da liberdade e dos direitos; é peça-chave no contexto social, já que a vida em coletividade é permeada pelo direito e pelo invariável ferimento a ele. É uma categoria questionadora e intransigente na defesa dos valores mais caros à sociedade; é um representante da cidadania.

Conforme ia dizendo nas primeiras linhas deste texto, muita coisa mudou, mas algumas mudaram pra melhor… Hoje o advogado percebe que para melhor exercer o múnus público que envolve o seu atuar ele precisa mais do que decifrar códigos legais. É tempo de negociação, de gerir os conflitos apaziguando, deixando ficar no passado a cultura adversarial e passando a adotar uma postura de mediação nas disputas, tornando-se uma ferramenta para construção da paz. É assim o novo advogado.

E para meus colegas bacharéis em direito, para quem o sonho da advocacia tornou-se um pesadelo, informo: existe algo verdadeiramente valioso esperando por vocês, a Mediação é uma realidade urgente. Capacitem-se! Ser um instrumento para a realização da paz não tem preço.

Um abraço fraterno,

Até as próximas linhas!

Rosane Albuquerque.