Vamos Falar de Crianças Invisíveis?

Vamos Falar de Crianças Invisíveis?

A invisibilidade infantil pode se dar de várias formas; uma delas poderia ser a da criança institucionalizada que espera por uma família que a adote; outra poderia ser aquela criança que nos aborda no semáforo, totalmente abandonada e entregue à própria sorte… Mas hoje nós queremos falar daquelas crianças que são vítimas das famílias que estão se desconectando.

Em uma família que está se desconectando, seja pela separação, pelo divórcio ou pela dissolução de união estável, geralmente o casal está passando por um dos momentos mais difíceis da vida. Aquele momento em que se percebem fracassados no projeto mais importante para o ser humano, que é a formação da estrutura de proteção psicológica, física e emocional para o enfrentamento do mundo lá fora, e a sua própria perpetuação através dos filhos.

Quando as pessoas se veem em meio ao desmoronamento de sonhos e planos, um misto de revolta, mágoa, raiva, vingança, insatisfação, incapacidade e desconsideração invade cada um do casal de maneira sorrateira. E esses sentimentos se instalam nos corações das pessoas e promovem a visão distorcida da realidade. Assim, nada além de si mesmos é possível enxergar.

Nessas horas as crianças correm e pedem socorro, só que ninguém as escuta, por causa da dificuldade da percepção do outro, porque eles só enxergam a si mesmos. Elas se tornam invisíveis aos olhos dos pais e sofrem, enclausuradas em seus castelinhos de cartas, com medo de que a sua própria respiração vá destruir aquela pirâmide fragilizada, que elas acreditam que as protege e tudo fica por um fio, porque na realidade, o que acontece é que elas carregam uma culpa que não é delas.

Na verdade, nessas horas nem existem culpados, todos são vitimas, porque o relacionamento é troca, não é caminho só de ida, é ida e volta; é o dar e o receber. Mas por que, então, que as crianças são as pessoas que são mais feridas nessa situação, se, na verdade, elas não têm culpa de nada?

Aos filhos nunca foi suficiente apenas o sustento material. Na verdade o ser humano tem necessidades que vão muito além. Então eu trago aqui o psicólogo argentino Sergio Sinay, autor do livro “A sociedade dos filhos órfãos” da editora Best Seller: “o afeto é tão importante para os filhos quanto é o leite materno, um teto e o ar”.

Aqui eu vou fazer um recorte desse momento que é extremamente importante e vou chamar a atenção, porque esse terreno que as pessoas pisam no momento de desconstrução da família e do relacionamento é um terreno muito perigoso, porque ele vem recheado de elementos que são alimentadores da prática da alienação parental e do abandono afetivo.

Então tem que ter muito cuidado, porque a relação parental, que é essa relação entre mãe e filho e pai e filho, exige compromisso e muita responsabilidade. Assim, eu me lembro de uma frase, de um poeta espanhol chamado Carlos Ruiz Zafon, que ele diz que quando a razão consegue entender o ocorrido é porque as feridas no coração já são profundas demais.

Então eu pergunto: será que há possibilidade das crianças serem poupadas desse sofrimento que é o rompimento da relação dos pais?
Claro que sim! Sabe por quê? Porque a família conjugal pereceu, mas a família parental seguirá para a eternidade, não existem ex-pai, ex-mãe, ex-filho, na verdade essa família vai perdurar pra sempre! Reconheça que vocês venceram e que essa união foi vitoriosa na criança, nessa preciosidade, que frutificou dela. Busquem ajuda!

Olha, vocação do ser humano é buscar a felicidade, ninguém é obrigado a continuar amando. Se o fim chegou, que seja digno. Que as pessoas possam encontrar um meio mais responsável, com mais reflexão e autoimplicação, para conseguir resolver as questões do final do relacionamento.
Isso me lembra aquela música da Legião Urbana, que diz mais ou menos assim: “Se lembra quando a gente chegou um dia acreditar que tudo era pra sempre sem saber que pra sempre sempre acaba, mas nada vai conseguir mudar o que ficou…

Então, essa criança é uma preciosidade que precisa ser preservada. Preserve essa criança, preserve esse bem!
Se a sua criança é a pessoa que você mais ama neste mundo, não queira machucá-la, não use como pombo-correio, não use como escudo protetor, não faça dela a pessoa mais sofrida desse mundo, por suas próprias mãos. Tome esse cuidado!

Procurem ajuda nos profissionais capacitados que estão aí à disposição como, por exemplo, os Mediadores de Conflitos ou os Consteladores, que aplicam a constelação familiar; os Oficineiros, que promovem as oficinas de pais e mães…

Mas, a mediação de conflitos é especialmente vocacionada para esse trabalho, porque, na verdade, existe uma caixinha de ferramentas, que o profissional capacitado vai buscar usar, no momento correto, aquela mais adequada, para as famílias saírem desse sofrimento, mais fortes, mais inteiras, prontas para seguirem o caminho, pra ressignificar as coisas e não continuarem sofrendo com o passado. Não olhando para trás, mas olhando para frente, com novas perspectivas de vida. E não é porque o relacionamento acabou que a vida acabou. Vamos buscar ajuda para entender isso!

A Mediação de Conflitos é uma prática que busca integrar razão e emoção, pensamento e sentimento, para o desenvolvimento de um rompimento com mais consciência, atitude pró-ativa e responsabilidade.

Então, para uma separação ou um divórcio colaborativo e mais consciente, busque a mediação de conflitos, que passou a ser reconhecida pelo ordenamento jurídico brasileiro como um meio de acesso à justiça e também é estimulada e promovida pelo Poder Judiciário, toda vez que uma ação de família for atravessada, mas você não precisa esperar esse momento, não precisa chegar a ter uma ação na justiça. Você pode buscar a mediação de conflitos tão logo a dificuldade na comunicação apareça na sua relação.

Olha, o que a mediação de conflitos faz é buscar saber o que é preciso fazer para que as pessoas se entenderem. Assim, os seus filhos vão passar por esse momento e esse trajeto tão difícil e tortuoso, mais fortes e protegidos.

Um abraço fraterno,

Até as próximas linhas.

Rosane Albuquerque.

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