Quem Você Quer Ser Quando Envelhecer?

Quem Você Quer Ser Quando Envelhecer?

Por que não ser a sua melhor versão?

A gente sabe que a velhice vai nos alcançar em algum momento, mas a gente evita pensar no assunto. E nem passa pela nossa cabeça que devemos nos preparar para essa fase tão bonita e tão cheia de significados.

No entanto, sempre é hora de revermos atitudes, pensamentos, sentimentos e ações com o propósito de alcançar o resultado que pretendemos. Mas precisamos ter consciência de onde e de como queremos chegar e, principalmente, para onde estamos indo.

Todos, com a exceção daqueles a quem a vida reservou menos tempo, caminham para o mesmo lugar, a velhice. Todos ao final seremos velhos e vulneráveis. Como lidar com essa realidade faz toda a diferença.

A pessoa é uma obra perfectível, a natureza da vida é a impermanência, por que então insistimos tanto em permanecer? Muitas vezes as coisas já mudaram em volta da gente, mas a gente se recusa a enxergar… Um dos maiores inimigos da velhice é o medo de ficar velho e esse medo leva as pessoas a não pensarem sobre o assunto.

Pesquisa recente, que ouviu dois mil brasileiros na casa dos 55 anos de idade, aponta que boa parte das pessoas tem receio em relação ao que as espera no futuro. Ainda é comum associar a velhice a circunstâncias negativas, como a solidão, o abandono, a incapacidade e a doença.

Em virtude dessas associações as pessoas acabam se distanciando mais e mais da ideia de como será envelhecer. No entanto, a atitude mais inteligente é enxergar e enfrentar a questão. Afinal, a verdade sempre convence.

A sabedoria está em se relacionar com a realidade de forma coerente com o que a realidade é: o nosso mundo é impermanente. Organicamente é a partir dos 28 anos de idade que o ser humano entra na rota do envelhecimento, o que é um caminho natural. Afirmam os Gerontólogos.

Se você tem agido de forma a evitar a verdade eu quero te convidar a rever essas percepções equivocadas. Essa forma de enxergar torna-se uma barreira para se chegar bem à velhice, com saúde, qualidade de vida, dignidade e autonomia.

Os hábitos que nós cultivamos ao longo da vida são responsáveis por 70% do que vamos colher em nossa velhice, os 30% restantes são relativos aos fatores genéticos.

Reclamar da velhice não traz nada de positivo, se você não está satisfeito, faça algo para mudar. É uma escolha viver a vida apenas por viver, fugindo dos próprios conflitos e dificuldades, das fraquezas e das sombras, quando na verdade são oportunidades preciosas para o autodesenvolvimento.

Por outro lado, você pode fazer dessa vida uma vida significativa. Pensar: a minha vida não é um fim, mas um meio para desenvolver a mim mesmo, me tornar alguém melhor e ajudar o próximo, pensando no bem comum.

Nós temos um hábito ruim de ouvir para responder. Enquanto as pessoas falam com a gente, nós vamos elaborando automaticamente as respostas e vamos concluindo antes de entender o que os outros estão nos dizendo.

Se pudéssemos ouvir para compreender e também falar de nossos sentimentos em vez de acusar, como nos ensina a Comunicação Não Violenta – CNV, talvez estimulássemos a empatia e a compaixão de maneira bem natural. Afinal, o nosso mundo é subjetivo e as coisas não são iguais para todos.

Marshall Rosemberg, apoiado nos princípios da CNV, esclarece o seguinte:

1. “por trás de todo comportamento existe uma necessidade”;

2. “todo ato violento é uma expressão trágica de uma necessidade não atendida”.

Então eu vou te contar uma história:

Em julho de 2009, um casal de ingleses muito bem sucedidos e ricos, ele um maestro de 85 anos e ela uma bailarina de 74 anos de idade, Edward e Joan, saíram de casa, num bairro nobre da Inglaterra, em direção à Suíça.

O casal foi se internar em uma clínica. Joan tinha diagnóstico de câncer e Edward, nenhuma doença grave.

Eles foram procurar uma clínica chamada Dignitas, que por quatro mil líbras, aproximadamente, presta um serviço: o suicídio assistido.

Nessa clínica eles receberam uma dose de medicação anti-vômito e depois uma dose de nembutal, deitaram-se, acompanhados dos três filhos e em apenas 10 minutos estavam mortos.

Esse é um caso real que foi bastante divulgado na época, e eu decidi trazê-lo em meu texto para te perguntar, sem nenhum julgamento, se pudéssemos enquadrar o comportamento do casal nos princípios de Marshall, o que os teria motivado? Quais seriam as necessidades não atendidas?

Se tudo o que mais queremos nessa vida é ser amados, ser aceitos; é ter mais tempo e evitar a morte. Qual seria a razão dessa violência?

Será que os laços de família e o amor dos filhos não os ajudariam a passar pela experiência difícil?

Se eles tivessem bons relacionamentos de amizade, teriam tomado tal atitude?

Será que eles haviam se preparado? Será que pensaram em como seria passar por essa fase da vida? Será que lhes faltou aceitação e coragem?

O que a ciência nos diz sobre o que nos mantém saudáveis e felizes enquanto passamos pela vida?

Várias gerações de pesquisadores de Harvard, desde 1938, vêm produzindo “O Estudo de Desenvolvimento Adulto”, que consiste em estudar as vidas das pessoas enquanto estão vivendo, desde a adolescência até a velhice.

Foram originalmente 724 homens. Sessenta deles chegaram aos 90 anos, e a pesquisa continua com os mais de 2000 filhos dessas pessoas.

A mensagem mais clara que surgiu desse estudo de 75 anos foi:

Relações saudáveis protegem não apenas os nossos corpos, mas também as nossas mentes. Bons relacionamentos nos mantém mais felizes e saudáveis.

Há décadas as sociedades lutam por melhorias em prol do aumento da expectativa de vida e a Ciência coloca à nossa disposição os tratamentos e os medicamentos para prevenir e curar doenças; mas isso só não basta.

É necessário criar consciência para aplicar na prática as recomendações, como a necessidade de adotar uma alimentação equilibrada, a prática de exercícios físicos, o controle do estresse, estímulos constantes para uma mente ativa e a manutenção das relações sociais com a valorização da espiritualidade, para a garantia de uma existência digna e saudável.

Temos muito trabalho a fazer com a população idosa de hoje, e também com os jovens, rompendo os estigmas para que o indivíduo mais velho seja valorizado e visto fora do espectro do “aposentado” ou do “inválido”.

Precisamos conscientizar para que o termo “idoso” seja substituído por adulto maduro, porque “idoso” é um termo já desgastado; do mesmo modo, precisamos estimular à reflexão e ao interesse no sentido de conhecer as vicissitudes dessa fase da vida.

O que estamos fazendo para garantir ou, pelo menos, contribuir para aquilo que desejamos viver na velhice?

Quem tendo chegado à meia idade duvida de que o futuro se prepara no presente?

Um Mestre Tibetano, há quatro séculos disse:

Pensando em fazer, pensando em fazer, passaram-se 20 anos;

Não consegui, não consegui, passaram-se 20 anos;

Ai por que não fiz, ai por que não fiz, passaram-se 20 anos.

Assim passaram-se 60 anos… Essa é a biografia de uma vida vazia.

A mensagem que fica é: nunca é tarde demais e nunca é cedo demais.

As coisas estão sempre se transformando, inclusive você!

Não se apoie tanto em seus filhos e netos, o melhor é ter amigos, que estão no mesmo barco, que entendem os nossos anseios, porque os conhecem muito bem, pessoas com as quais podemos trocar ideias, conhecimento, atenção, cuidados e compartilhar alegrias, emoções, compreensão e companheirismo, porque nós estamos aqui é para nos conectar!

Um abraço fraterno,

Até as próximas linhas.

Rosane Albuquerque.

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É hora de nos conectarmos ao bem comum, com pensamentos e sentimentos de esperança de que no fim tudo vai dar certo!