Quem Possui a Fórmula da Felicidade?

Quem Possui a Fórmula da Felicidade?

A felicidade poderia ser pesquisada cientificamente? As neurociências provam que sim e garantem que podemos aprender a ser felizes, porque o cérebro humano possui um sistema específico para isso. As técnicas computadorizadas de geração de imagens tornam possível ver a alegria surgindo em nossa cabeça quando pensamos em alguém que amamos.

A biologia molecular mostra o que ocorre nesse instante dentro dos nossos bilhões de neurônios, enquanto a psicologia explica como as mudanças de humor influenciam o comportamento. Existe uma fórmula da felicidade para cada um de nós e o autoconhecimento é a chave para conquistá-la.

Mas a premissa maior para a felicidade é que ninguém é feliz sozinho. Quando digo isso, não estou falando de solidão, obviamente, porque no isolamento é possível sim ser feliz. Aliás, nos isolar é até uma necessidade. E nessas horas, a nossa própria companhia é o que mais nos agrada.

O que estou querendo dizer com a frase: “ninguém é feliz sozinho”, é que para a nossa felicidade ser completa, em nossa volta as pessoas também devem estar felizes. E se nós estamos felizes, devemos compartilhar a felicidade, espalhando o amor.

Em algum momento a sociedade voltou-se para dentro, em algum momento deixamos de ser coletividade para nos tornar individualidades. E olhando para dentro passamos a pensar e desejar o melhor para nós, independentemente de ser bom também para as outras pessoas que nos cercam.

Assim criamos o “bloco do eu primeiro”, a “turma do gerson”: eu vou levar alguma vantagem? Ou como dizia, brincando, o meu querido sogro: a farinha é pouca, o meu pirão primeiro.

A consequência disso é uma sociedade egoísta, individualista, que não se preocupa com o bem comum. E, por conseguinte, nos reunimos em pequenos grupos, à moda primitiva, como nos Clãs de um passado remoto, em condomínios fechados, em carros blindados, apavorados.

E o mais esquizofrênico é que em nosso individualismo nós evitamos enxergar a nós mesmos e aceitamos todo tipo de oferta de ilusão que nos retira do controle, como a TV, o consumo desenfreado e as redes sociais.

Fomos iniciando um processo de valorização das aparências, a valorização do ter em detrimento do ser e isso foi nos distanciando da ideia de felicidade e passamos a competir: a grama do vizinho é mais verdinha…

As competições não permitem a felicidade, porque nas competições alguém perde e a felicidade precisa ser coletiva. As competições e disputas nos distanciam da felicidade, porque felicidade pressupõe o encontro com o outro, com aquele que vai nos dizer como a nossa grama é bonita e fresca.

Precisamos ressignificar a individualidade, atribuindo a esse termo a conotação de originalidade e autenticidade, conscientes de que somos únicos, mas devemos ser complementares. Nem melhores, nem piores, mas complementares. Não competitivos, mas colaborativos.

E a melhor forma de definir a felicidade autêntica é a contrário senso, descartando desde logo o que ela não é. Muitas pessoas acreditam se tratar de ter uma boa casa, comprar o carro do ano, atingir a independência financeira ou, ainda, encontrar o grande amor da vida. Isso é um grande erro.

O lugar onde a felicidade está é do lado de dentro. No momento em que acreditamos que o nosso bem-estar se encontra em algum lugar que não dentro de nós mesmos, nós estamos nos afastando da felicidade, que está atrelada ao ser e não ao ter.

Sobre a pesquisa científica acerca da felicidade, o criador do movimento da chamada Psicologia Positiva, o americano Martin Seligman, então presidente da Associação Americana de Psicologia, em uma palestra nos anos de 1990, sinalizou para algo que considerava muito importante: era preciso dar um novo passo.

Era necessário estudar, a partir do ponto de vista científico, tudo o que faz o ser humano feliz. Dessa forma, a psicologia poderia ajudar as pessoas na construção de uma realidade mais satisfatória.

Seu trabalho, então, foca em identificar características e estratégias de pessoas com um perfil positivo, além de explicar como cultivar e experimentar, na maior parte do tempo, a felicidade autêntica e outros estados emocionais desejáveis.

Martin Seligman, Phd da Universidade da Pensilvânia, foi o pioneiro no estudo do otimismo e Mihaly Csikszentmihalyi, Phd da Universidade de Chicago, desenvolveu o conceito e a teoria de Flow.

A Psicologia Positiva é um campo científico dentro da Psicologia; é a ciência que estuda as forças e as virtudes que permitem aos indivíduos atingirem seu desenvolvimento pleno.

A pesquisadora Sonja Lyubomirsky, professora da Universidade da Califórnia, ganhou um prêmio por seu trabalho na Psicologia Positiva e com isso ganhou uma bolsa de um milhão de dólares para estudar o que determina a felicidade. O que ela chama de “fatores influenciadores da felicidade crônica”.

Ela nos traz três grandes fatores: o primeiro é o fator genético, que é responsável por 50% da variação dos nossos níveis de felicidade e tem a ver com nosso temperamento; o segundo fator são as circunstâncias, que são responsáveis por 10% dos nossos níveis de felicidade e tem a ver com a família onde nascemos, com nossa renda, com as oportunidades que tivemos e o terceiro fator, que é responsável por 40% da variação dos nossos níveis de felicidade, são as atividades intencionais, que estão relacionados com o nosso modo de pensar e de agir; com nossos pensamentos e comportamentos.

Então, buscar melhorar os níveis de felicidade trabalhando o fator genético, seria um esforço hercúleo com resultado pífio; quanto ao fator circunstancial, que representam apenas 10%, o esforço não traria uma alteração significativa, até porque Mihaly descobriu que a falta de recursos básicos contribui sim para a infelicidade, mas que depois de elevar o patamar de bens a felicidade não se expande mais.

No entanto, nas atividades intencionais é onde podemos conseguir alcançar o maior benefício, uma vez que representam 40% dos nossos níveis de felicidade. E é onde podemos fazer intervenções que trabalham a gratidão, o otimismo, a esperança, a resiliência, a coragem, a compaixão, a empatia, o amor… Para alterar o nosso mindset.

A Psicologia Positiva propõe três caminhos para a felicidade autêntica: a vida prazerosa; a vida engajada e a vida significativa.

Traduzindo: é procurar vivenciar ao máximo as emoções positivas enquanto se busca reduzir as emoções negativas para a manutenção de um estado emocional e mental positivos. Lembrando que as emoções negativas têm uma importante função: é com elas que mais aprendemos.

A ideia é procurar realizar um maior número de tarefas que você gosta de fazer, para o alcance da vida prazerosa e encontrar satisfação no que você precisa fazer, experimentando entrar em fluxo, corpo e mente em flow, que quer dizer alta concentração. O que só é possível a partir de um estado mental positivo, para o alcance da vida engajada. E mais, servir a uma causa maior do que você mesmo, que vai além de benefícios pessoais, deixando um legado para a coletividade. Assim, se alcança a vida significativa.

A pessoa não escolhe o seu futuro, ela escolhe os seus hábitos e isso é o que define o seu futuro.

Por que será tão difícil ser feliz? Por que há tanta gente insatisfeita com o que faz? É porque as pessoas querem mais do que produzir, elas querem se revelar! E para isso a gente precisa encontrar os próprios talentos.

O que eu tenho para dizer é que a felicidade não é uma receita de bolo, aquilo que me agrada e me faz feliz não necessariamente irá te agradar ou fazer você feliz. Então não adianta querer ser como aquela determinada pessoa ou fazer aquilo que ela faz, porque aquele número não te serve.

Mo Gawdat, o autor do livro A Fórmula da Felicidade, estudou por 10 anos sobre a felicidade e descobriu que são os pensamentos e não os acontecimentos em si que estão te deixando infeliz. Então ele nos diz que “não importa quais sejam os obstáculos que enfrentamos, as dificuldades pelas quais passamos, todos nós podemos nos sentir alegres e felizes agora e otimistas em relação ao futuro. Esse é o resultado da Fórmula da Felicidade. Então siga para o próximo passo”.

Se os acontecimentos permanecem como são e não podem ser alterados, o que podemos fazer é mudar a forma de pensar sobre aqueles acontecimentos; dessa maneira nós podemos mudar o sentido daquilo.

A felicidade é uma escolha consciente, não é um acaso. É uma ilusão pensar que podemos controlar os acontecimentos. A única coisa que podemos fazer é controlar a forma como nós reagimos e interpretamos os acontecimentos externos.

A felicidade é um estado, um sentimento, uma sensação, que independe dos acontecimentos, porque estes têm a função de nos oferecer as experiências e as vivências para que possamos aprender com elas.

Quem nunca sentiu alegria e tristeza ao mesmo tempo? Quem já saiu de casa ou viu seus filhos irem para longe por terem conquistado algo, sabem o que estou dizendo. É felicidade que mistura alegria pelo novo caminho e tristeza e falta pelo que deixa para trás… O tempo todo nós temos que perder para ganhar e isso é aprendizado.

Olha, seja a partir dos ensinamentos de Martin Seligman, de Mo Gawdat ou de qualquer outra referência, o importante é que você não perca o foco em suas qualidades e busque dentro de si mesmo o que precisa para ser feliz. Trabalhe para encontrar os seus talentos e busque o autodesenvolvimento. Acredite que você tem talentos únicos e duradouros.

Leonard Nimoy, o Dr. Spock de Jornada nas Estrelas, que além de ator era também pintor, cineasta, fotógrafo e poeta tem uma frase que eu gosto muito. É assim: A vida é como um jardim, momentos perfeitos podem existir, mas não podem ser preservados, exceto na memória.

Um afetuoso abraço e até as próximas linhas!

Rosane Albuquerque.

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